Pai, estou grávida

Como foi para você dar a notícia de que estava grávida ao seu pai? Embora o natural seja que a chegada dos filhos venha acompanhada de fogos de artifício, a realidade pode ser condizente, inesperada ou até frustrante. Abaixo a história de três residentes da Casa de Viver sobre como foi este momento. Ah, vale lembrar que se a hora do anúncio pode ter sido meio desajeitada, todos os três avôs se derreteram depois que os pequenos vieram ao mundo 😉

A Empanada

“Meu pai é chileno e faz empanadas incríveis, mas como dá muito trabalho ele faz só de vez em quando. Uns 4 anos atrás, ele passou o dia fazendo uma produção enorme, foi uma delícia, a família inteira comeu e ele comentou brincando que só teria aquele trabalho novamente quando alguém falasse que ele teria um neto. Eu guardei isso e dois anos depois, quando fiquei grávida, sentei com ele e disse ‘Pai, está na hora de fazer empanadas’. Ele passou um tempo processando, primeiro para lembrar e depois para ter certeza de que  tinha entendido direito, até que falou “Bom, mas eu tenho pelo menos nove meses para entregar né?”.

Não tem espelho em casa

“Eu tinha ido morar com meu namorado em janeiro e fiquei grávida em março. Meu pai morava em outra cidade, casou 5 vezes, teve filho em 3 desses casamentos… mesmo assim, quando falei, a reação dele foi de choque. Ele disse: ‘Mas não foi um pouco rápido???’. Ele costuma ter primeiras reações ruins mesmo, não é por mal… mas esse foi um comentário bem sem noção, ainda mais vindo de alguém com o histórico dele”.

Reação: sem reação

Eu demorei bastante para contar para o meu pai, minha mãe já sabia há quase um mês e não podia comentar em casa, porque eu achava que tinha que contar eu mesma. Um domingo à noite achei que era melhor ligar e falar logo. Primeiro perguntei se a minha mãe tinha comentado algo  (na sincera esperança de estar livre da função) mas não, ela não tinha. O quê? – ‘Estou grávida’. Seguiu-se um silêncio de uns três minutos. Perguntei se ele ainda estava lá e ouvi. ‘Ah… tá bom’. Silêncio. Sei que ele é bem limitado emocionalmente, então falei ‘ok então, beijo, tchau’, mais aliviada de ter falado do que frustrada com a não-reação. No dia seguinte ele ligou com uma voz um pouco melhor, falou que tinha precisado assimilar e que ‘achava legal’. Acho que a ficha dele só caiu depois que o bebê nasceu mesmo.

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