Nutricionista Vanessa Ary

Entrevistamos a nutricionista funcional Vanessa Ary para entender um pouco mais a respeito da alimentação adequada para as crianças, quando ela começa e o papel dos pais na criação de bons hábitos. Vanessa é a criadora do programa Os 5 Passos para a Verdadeira Nutrição e estará na Casa de Viver dia 1º de dezembro para falar sobre o assunto. 

Há muitos cursos hoje para a introdução alimentar. Qual a importância de uma introdução alimentar adequada?
É na infância, ou ainda antes – na gravidez – que são determinados os hábitos e preferências de uma criança para quase a vida toda. O paladar é determinado pelo estado de nutrição das nossas células, que depende principalmente da saúde intestinal, que é facilmente alterada quando introduzimos produtos alimentícios na primeira infância ou ainda na gravidez.

O BLW é vantajoso em relação à introdução com alimentos amassados? Porque?
É maravilhoso, pois estimula a criança a mastigar, ato essencial para a correta nutrição. Além disto o contato com o alimento inteiro em sua forma, odor e sabor faz com que a criança fique mais próxima da origem das coisas, da própria natureza, e possa fazer suas escolhas baseada no que tem de memória natural.

Como fazer uma criança que come mal se interessar por comidas saudáveis?
Primeiramente ser o exemplo. nenhuma criança comerá bem se os pais não fizerem o mesmo. Criança age por imitação até formar suas próprias conclusões do que é bom ou ruim. Muitas vezes também existem ‘atrapalhadores’ para a falta de apetite por comida saudável como deficiência de vitaminas e minerais ou disbiose (saúde intestinal alterada).

Você fala que a nutrição não é só o que comemos. Quais fatores entram aqui?
Nutrição é o RESULTADO de diversos hábitos e escolhas, como por exemplo o sono, atividade física, o sol, o humor/ estresse, etc. Tudo isto libera hormônios que desviam funções e nutrientes, e ao mesmo tempo altera o ph intestinal e estomacal, dificultando a digestão, a absorção e consequentemente a nutrição.

Qual é o limite para exceções? Quando a criança pode comer algo “proibido”?
Se ela cresce com hábitos saudáveis e um bom exemplo dos pais dificilmente ela vai querer um proibido frequentemente, e vai saber o que faz bem e se sentir bem. O segredo esta em empoderar a criança desde cedo sobre o que é bom ou ruim de acordo com as próprias experiencias dela no dia a dia (evacuação, cansaço, irritação…) associando a algo que possa ter feito ou comido. Ensinar hábitos de vida saudáveis e educar nutricionalmente a cada refeição. Não acredito em “dia do lixo” e acho que não se deve dar algo para uma criança experimentar se ela nunca pediu ou nem tem consciência para escolher o que quer ainda. Até lá fazendo a educação nutricional =)

Há algum alimento que não deva ser consumido por ninguém, de idade nenhuma?
O primeiro que eu diria é o açúcar e todos os produtos alimentícios que o possuem, principalmente o refinado (branco). Outros seriam os refinados, aditivados (corantes, adoçantes, conservantes, hormônios, antibióticos), e tudo o mais que nossas células não gostariam de receber, afinal nosso corpo terá que gastar muita energia e nutrientes para elimina-los, e enquanto isso, nós sofremos as consequências (dor de cabeça, prisão de ventre, insonia, mau humor, inchaço, unhas quebradiças, queda de cabelo, ganho de peso ou desnutrição, etc)

Há algum “superalimento” que deva ser consumido diariamente?
Em primeiro lugar frutas legumes e verduras, estes são os melhores SUPERALIMENTOS! De preferencia orgânicos, mas senão conseguir, consuma-os assim mesmo!

Porque os adultos têm tanta dificuldade em mudar a própria alimentação?
Porque os hábitos da infância determinam os hábitos da vida, e inclusive o que comemos determina o nosso comportamento e escolhas. O cérebro funciona através de nutrientes, e todo o desequilíbrio que acontece quando não nutrimos o corpo e o intoxicamos desde pequenos se reflete em mudança de paladar, preferencia por alimentos tóxicos e super temperados ou adoçados, e rejeição ao que é saudável, decorrente também de uma alteração intestinal. É quase que uma “rebeldia celular crônica”!

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