Com Licença

Existe um fato que é parte da vida de absolutamente todos nós, e que no entanto parece ser invisível: a questão do nascimento e tudo o que vem com ele – parto, amamentação, licença maternidade e licença paternidade.

A esmagadora maioria das mulheres, inseridas no mercado de trabalho, normalmente sentem algum grau de culpa ao sequer pensar nesse momento de sermos mães. É como se isso fosse uma traição contra a empresa, a sociedade, o movimento de libertação das mulheres. Como se estivéssemos de repente virando as costas a um sistema que tanto nos deu: nosso sustento, nossa carreira, independência e a oportunidade de realização profissional.

Talvez por isso esse assunto não seja discutido amplamente. Ou melhor, não vinha sendo.

Bia Siqueira nos traz, através do projeto do documentário Com Licença, diversos questionamentos acerca dos dilemas das mães urbanas que trabalham. Aborda desde a situação da gestante no ambiente de trabalho, até a licença maternidade, incluindo a licença paternidade, a volta ao trabalho e a necessidade de uma rede de suporte.

Com os depoimentos de mães e pais, bem como profissionais como pediatras, filósofos, psiquiatras e outros, o documentário abordará diversos aspectos dos dilemas criados pela sociedade atual para um momento que é extremamente natural: o nascimento e o crescimento dos nossos filhos.

A manutenção da sociedade depende não só da multiplicação, mas também da forma como cuidamos dos nossos descendentes – são eles que darão continuidade ao nosso legado.

O filósofo Mario Sergio Cortella lembra, no trailer do documentário, que esta questão só surge no século XX: “pode a mulher, além de trabalhar, estar com o filho e a família”?

Talvez essa pergunta só exista porque a sociedade não dá a importância devida a esse momento. “A sociedade deveria reconhecer a gestação, o parto e a amamentação como um trabalho da mulher para a sociedade”, diz o pediatra Marcus Renato de Carvalho.

O documentário tem o objetivo de fomentar a discussão sobre todos os aspectos, tanto da maternidade quanto da paternidade: se acreditamos que os filhos são responsabilidade da família, por que o pai é relegado a um papel de quase convidado, com uma licença de míseros 5 dias? Por que a mulher precisa se desdobrar para provar que ainda pode ser uma profissional de valor para a empresa durante a gravidez, e depois da volta ao trabalho, ainda que, muitas vezes, o mercado de trabalho a desvalorize apenas por ser mãe?

O que podemos fazer para criar uma sociedade que abrace o início da vida e que entenda que não há nenhuma vantagem em descuidar?

Financiamento coletivo

O documentário Com Licença está recebendo financiamento coletivo por meio de crowdfunding para finalizar as filmagens.

Faltam 6 dias para arrecadar R$ 53.375. A Casa de Viver apoia este projeto e convida você a assistir ao trailer e fazer sua doação em http://benfeitoria.com/comlicenca

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