Tempo Livre e Culpa

Sexta feira recebemos a visita da Andrea Sarno para uma conversa sobre o valor do tempo livre. Nas definições de o que seria “livre”, foi consenso de que se tratam daqueles momentos em que não ha nenhuma obrigação ou compromisso. Parece simples não? Porque então essa frase sempre vem seguida de outra, que normalmente envolve culpa? “Me sinto mal por não estar com meus filhos”, “Aproveito para lavar a roupa”, “Saio de casa mas fico perdida, sem saber o que fazer”, “Se não estou com as crianças preciso estar fazendo algo produtivo, algum trabalho, se não sou uma mãe ruim”, “Me sinto mal por não estar ganhando dinheiro”. A impressão que da é que o tempo livre, que deveria ser uma delicia, acaba virando um problema, e quem tem filhos ainda o passa adiante: haja natação, curso de circo, aula de capoeira, inglês, espanhol e passeios mirabolantes para “ocupar” a criança.

Existem algumas explicações para essa corrida sem linha de chegada: o mundo digital cria a demanda de se estar sempre atualizado. O mercado esta competitivo e é preciso estar preparado, ou melhor, o mundo esta competitivo e é preciso fazer tantas coisas maravilhosas quanto os outros estão exibindo em suas redes sociais. Ficar parado nunca é o suficiente. Não tem glamour, não entrega resultados, não tem graça. Gera ansiedade.

O lado bom é que temos escolha. Sempre temos escolha. O difícil é lidar com as consequências de nossas escolhas. Se eu quero trabalhar menos vou ganhar menos dinheiro. Como vou gerenciar isso? E como identificar as nossas vontades reais dentre tantos impulsos vindos de fora, cobranças da família, adequação ao circulo de amigos, padrões considerados “normais”?

Também é importante desassociar o “tenho que” do desprazer. Tendemos a achar que algo que e obrigatório é ruim, e inconscientemente jogamos trabalho, cuidado com os filhos e outras atividades que não só escolhemos como fazemos diariamente nessa categoria. Mude o olhar e lembre-se de suas escolhas. Transforme o cotidiano em um prazer, não em algo a ser tirado da frente.

Um truque é parar e respirar. Andrea compara a vida ao mar. Quando ele esta calmo, estamos relaxados e tudo flui bem. Mas vem uma onda, e depois outra e outra, e se você não respirar entre elas acabara se afogando. Respirar, literalmente, profundamente, conscientemente, ajuda a controlar os batimentos cardíacos, libera as tensões e torna o pensamento mais claro.

Para o dia a dia o divisor de águas proposto por Andrea, que e especialista em inteligência emocional, gestão de estresse e desenvolvimento humano foi se perguntar “para quê?” sempre que alguma ação parecer desnecessária, desagradável ou geradora de ansiedade. Segundo ela, os “por quês” sempre permitem uma justificativa, criando uma bola de neve sem fim. O “para quê” deixa claro o objetivo da ação, e mostra se ela é realmente importante ou não.  “Mas e se o que eu quero fazer não serve para nada? Ver uma série, por exemplo”. Nesse caso, “amarre sua culpa numa pedra e jogue para o espaço”, diz Andrea. “A vida passa rápido demais. A boa noticia é que você e o piloto”.

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