Papel da TV na vida das crianças

Como você encara a TV que seu filho assiste? É uma opção de lazer, um salva-vidas para quando você precisa fazer a janta ou parte vital da educação infantil? Provavelmente você entenda como uma mistura das duas primeiras opções, mas quando analisamos as estatísticas, a realidade se aproxima muito mais da terceira.

As crianças brasileiras assistem, em média, 5 horas de televisão por dia, segundo o Ibope. É o mesmo tempo que passam tendo aula na escola e menos tempo do que passam fazendo atividades extracurriculares. Se experiências práticas e vivências são, segundo todas as linhas pedagógicas, as responsáveis pelo desenvolvimento das habilidades de aprender e de resolver problemas, da autoconfiança e da noção de pertencimento social, como lidará com o mundo alguém que, em plena fase de desenvolvimento cerebral, passou 1/3 de seu tempo acordado em frente a uma tela?

Em uma análise feita pela psicoterapeuta infantil e conselheira do Projeto Criança e Consumo, Ana Olmos, para a organização sem fins lucrativos Criança e Consumo, a situação é preocupante. “A criança fica passiva em frente à televisão, como se dispusesse do desejo de sujeito, fica como objeto em relação à televisão, pois se trata de uma mídia sem interatividade”. Além disso, a atividade “afasta a possibilidade de a criança ficar sozinha consigo mesmo, um aprendizado fundamental para a vida toda”.

Uma pesquisa conduzida pelo professor Dimitri Christakis, do Centro Médico Regional de Seattle e publicado na revista Pediatrics, da Academia Americana de Pediatria, vai mais longe e sugere que o hábito de ver TV na primeira infância (0 aos 6 anos) superestimula e modifica o desenvolvimento normal do cérebro de uma criança, independente do conteúdo assistido. Os resultados indicaram que a rápida superexposição de elementos visuais cria mecanismos danosos ao cérebro em desenvolvimento, entre eles dificuldade de concentração, impulsividade, impaciência e confusão mental.

Foi essa a explicação que Cristina Leão, mãe de João e Maria Teresa e autora do blog “Antes que eles cresçam” ouviu do professor de seu filho quando se mudou para Miami e o matriculou em uma escola Waldorf. Que se João assistisse mesmo que um pouco de TV no dia, quando dormisse seu cérebro ficaria ocupado tentando assimilar aqueles estímulos intensos e ele não o que realmente foi aprendido.

Mesmo já utilizando “pouco” do recurso (de uma a duas horas por dia no máximo) ela fez o teste e se surpreendeu, tanto com a facilidade de ficar sem TV durante a semana quanto com as mudanças de comportamento na criança.

Leia a história da Marcela aqui e conte como foi sua experiência, ou como é sua relação com a televisão, nos comentários.

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