Minha primeira semana sem carro

Como relatei no post anterior, como parte da minha recuperação financeira, entre outras ações, decidi vender o carro.

Desapegar não foi tão difícil. Primeiro, porque entre a decisão de vender e de fato concretizar a venda, passaram-se 2 meses. Além disso, sabe aquele pensamento “isso não te pertence”? Nunca foi tão verdadeiro! Eu devia esse carro duas vezes: uma pra minha cunhada, outra pra financeira.

Por isso, o alívio financeiro que a venda causou foi mais por me livrar de uma das dívidas (ainda tenho que pagá-lo para a minha cunhada) e das despesas que o carro gera, que não são poucas: IPVA, seguro, manutenção, combustível (e dá-lhe combustível: era um carro 1.8!)…
Uma semana depois de ter sentido um pequeno aperto ao ver o comprador levando ele embora, posso dizer que não estou só aliviada, mas feliz mesmo.

Nos últimos 6 dias, andei em média 6 km por dia. Isso vai ao encontro da minha meta de me tornar mais saudável e voltar ao peso que eu tinha antes de engravidar do terceirinho.

Mas além do fator saúde, sinto uma satisfação em saber que estou deixando de gastar (até quando deixo de gastar com ônibus e metrô) e usando os recursos que o meu próprio corpo me proporciona: minha energia, minha mobilidade, minha saúde. Me parece um desperdício gastar com combustível se você tem condições para ir com suas próprias pernas para onde precisa.
Além disso, sinto que estou contribuindo com o mundo que meus filhos, netos, bisnetos, etc. vão herdar, já que a nossa dependência dos automóveis não é sustentável.

O sonho do carro próprio está morrendo

Semana passada comecei a aceleração da B2Mamy. Numa das primeiras atividades, assistimos um vídeo sobre a Quarta Revolução Industrial. Entre todas as coisas que estão se tornando obsoletas neste mundo em rápida transformação, a nossa relação com o carro como o conhecemos é uma das que já está mudando. Antes de carros elétricos e autônomos serem uma realidade diária, possuir um carro será coisa do passado muito em breve. Aplicativos como o Uber e a Lady Driver (este é só para mulheres, e é brasileiro, vale conferir!) já mudaram a forma como nos movimentamos pelas cidades. E muita mudança ainda está por vir, com compartilhamento e até assinatura de carros, sem falar em meios mais sustentáveis, como bicicletas e patinetes. Para quê investir em um “bem” que, além de não ser sustentável, tem uma desvalorização absurda e obriga você a gastar mais um rio de dinheiro com impostos, seguro, etc.? Para mim, não parece ter sentido.

Reconheçamos nossos privilégios

Claro que posso abrir mão de ter um carro porque tenho alguns privilégios que devem ser reconhecidos: vivo em São Paulo em um bairro muito bem servido pelo transporte público, e em que posso fazer a maioria das atividades a pé – como levar os filhos à escola, ir ao médico, ou frequentar um coworking e parques.

E justamente por eu ter esses privilégios – e já pagar bem caro por eles – é que não faz sentido gastar ainda mais dinheiro (ou, na verdade, aumentar a minha dívida), para manter esse luxo.

Por tudo isso, vender o carro foi uma atitude 100% positiva. Além de ter diminuído a minha dívida total em alguns milhares de reais, me sinto melhor com o meu impacto no mundo, com a minha saúde, e com os valores que transmito aos meus filhos.

Afinal, onde estamos empregando a nossa energia? Em ter ou em ser?

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