Famílias tentaculares e o papel do adulto

Sempre que vou falar para alguém quantas irmãs eu tenho, preciso parar para contar. Não, nem são tantas assim – peraí, uma, duas… rs São 4. Frutos de 2 outros relacionamentos do meu pai e 1 da minha mãe. Eu brinco que sou filha única de pai e mãe, apesar de ter 4 irmãs (peraí, uma, duas… isso, são 4 mesmo).

Recentemente, minha terapeuta (amada @tais_masi) pediu para eu desenhar a minha árvore genealógica. Eu comentei que nem sabia como colocar todo mundo. De verdade, a minha família tá mais para um emaranhado genealógico. É uma trepadeira, não uma árvore! 😂

E por causa dessa experiência, ela me passou um texto muito bacana, da Maria Rita Kehl, em que ela fala sobre as famílias “tentaculares”, formadas pelas “separações e as novas uniões efetuadas ao longo da vida dos adultos”.

O texto fala da culpa que trazemos por não termos conseguido formar uma família “normal” (que identificamos como a família nuclear patriarcal e monogâmica), apesar desse modelo, que nos ressentimos de não reproduzir, ter tido uma curta duração (menos de 2 séculos) e ter se sustentado a um alto custo psíquico, sexual e emocional para seus membros.

É positivo olhar de frente esse modelo a que muitos de nós aspiramos ao começar uma família. Sobretudo quando não viemos, como eu, de uma família “tradicional”, tendemos a querer “remediar” essa “falta” tentando construir uma família que atenda a esse padrão. E muitas vezes nos frustramos por não conseguir, e daí vem a culpa e a dificuldade de assumirmos nosso papel de adultos responsáveis por educar nossos filhos. Afinal, se eu não soube ocupar o papel que me cabia no esquema da família tradicional, tenho o direito de ocupar o papel de mãe/pai?

Sim, temos o direito, e mais do que isso, o dever de ocupar o nosso papel. Maria Rita nos lembra que os “papéis” dos agentes familiares são substituíveis, mas o “olhar de adulto sobre a criança, a um só tempo amoroso e responsável, desejante de que esta criança exista e seja feliz na medida do possível – mas não a qualquer preço”, este é insubstituível.

A família, independentemente da sua configuração, é onde a criança tem seu lugar de ser, junto aos adultos que têm a responsabilidade de desenhar os limites que permitirão o seu desenvolvimento saudável.

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