Pesquisas revelam como bons hábitos podem minimizar o declínio cognitivo ao longo da vida

A função cognitiva, que inclui habilidades como memória, raciocínio e aprendizado, tende a diminuir com o passar dos anos. Estudo recente da Universidade de College Cork, publicado na revista Trends in Neurosciences, revela que esse processo pode se iniciar mais cedo do que se imaginava: por volta dos 40 ou 50 anos.

Segundo os pesquisadores, ao atingir a meia-idade, a capacidade de aprendizado e de formação de novas memórias já começa a apresentar redução, assim como a conectividade entre diferentes áreas do cérebro.

Embora o declínio cognitivo seja um processo natural, estudos também mostram que sua progressão pode ser atenuada por meio de hábitos saudáveis. A combinação entre exercícios físicos e adoção de uma rotina de sono adequada e uma alimentação balanceada e nutritiva é determinante para preservar a função cerebral ao longo da vida.

Cochilos curtos durante o dia também podem trazer benefícios. Estudo realizado na China, publicado no General Psychiatry, concluiu que idosos que dormem até 30 minutos após o almoço, pelo menos quatro vezes por semana, apresentam melhor desempenho em testes de memória, linguagem e orientação, além de um risco 84% menor de desenvolver Alzheimer.

O diretor do Centro de Sono e Cognição da Universidade Nacional de Cingapura, Michael Chee, afirma, em entrevista à imprensa, que sonecas curtas, como as de dez minutos, podem restaurar e melhorar a acuidade mental. No entanto, destaca que elas não substituem boas noites de sono.

Pesquisas reforçam a importância de uma alimentação nutritiva

Uma alimentação nutritiva também é considerada fundamental para o bom funcionamento do cérebro. Dietas ricas em frutas e alimentos de origem vegetal, devido à presença de polifenóis e outros compostos bioativos, podem reduzir o risco de deterioração cognitiva, conforme artigo publicado na revista Molecular Nutrition and Food Research.

Adotar estratégias de suplementação alimentar, como tomar magnésio dimalato, também pode ser benéfico, tendo em vista que este é um dos nutrientes essenciais para a saúde cerebral. Estudo desenvolvido na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificou que a alta ingestão do mineral pode reduzir a neuroinflamação e melhorar a cognição em idosos.

Outro nutriente que tem sido alvo de pesquisas científicas é a vitamina B12. De acordo com uma pesquisa publicada no National Library of Medicine (NLM), a deficiência dessa vitamina está associada ao comprometimento cognitivo e, nesse caso, a suplementação pode melhorar a função cerebral.

Sendo assim, ao perceber sintomas de falta de vitamina B12, como anemia, fadiga, falta de ar e cansaço extremo, a orientação é procurar um médico para avaliar a necessidade de reposição para proteger, também, a saúde cognitiva.

Exercício físico e estímulos mentais fazem a diferença

Além do sono e da alimentação, outras estratégias são recomendadas para manter a mente ativa e adiar o envelhecimento cerebral. Estudos mostram que a prática regular de exercícios físicos e a realização de atividades que desafiem o cérebro são fundamentais para preservar as funções cognitivas ao longo da vida.

Um exemplo é a pesquisa desenvolvida pela University College London, publicada no International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, que demonstrou que, pelo menos, 30 minutos diários de exercícios moderados a vigorosos, como caminhada rápida, dançar ou subir alguns lances de escada, podem trazer melhorias para a memória episódica.

Segundo os pesquisadores, iniciar o dia pedalando ou caminhando pode favorecer a função cognitiva nos dias seguintes, principalmente quando a prática está aliada a um período de sono de, no mínimo, seis horas.

Os estímulos cognitivos também são importantes. A ausência de desafios mentais pode acelerar o declínio cognitivo, enquanto atividades que exigem concentração e raciocínio ajudam a preservar a plasticidade cerebral. Em entrevista à imprensa, o neurologista Diogo Haddad explica que aprender um novo idioma, escrever, fazer trabalhos manuais e meditar são práticas que ajudam a estimular a cognição.

É possível melhorar a cognição com uma soneca e alguns nutrientes